Millennials e Energia

17-08-2016 03:13 – Futuro do sector das Utilities marcado por consumidores millennials
Um estudo recente da Accenture a mais de 9.500 consumidores em 17 países, incluindo Portugal, revela que a procura de novos bens e serviços relacionados com o consumo de energia é elevada, especialmente entre os Millennials (pessoas entre os 18 e os 34 anos), o que torna este grupo decisivo para as tendências deste sector. Este estudo inclui dados de Portugal e demonstra também que os Millennials portugueses estão a começar a ganhar confiança nos operadores de energia mas são cada vez mais exigentes, anuncia a Accenture em comunicado.
Um estudo global da Accenture, que incluí Portugal, intitulado The New Energy Consumer: Thriving in the Energy Ecosystem, que é publicado anualmente sobre os consumidores de energia analisa as respostas de mais de 10.000 inquiridos em 17 países, incluindo Portugal.
A pesquisa revela que os Millennials exercem uma forte influência sobre as principais tendências de fidelização dos consumidores “num contexto marcado por um vasto e complexo conjunto de fornecedores de energia concorrentes que oferecem produtos, serviços e experiências inovadoras”, diz a análise.
Em Portugal, a amostra de 500 inquiridos (39% dos quais millennials) demonstra que os consumidores no nosso país estão alinhados com a média global quanto ao grau de confiança que têm no seu fornecedor de energia: 47% têm essa confiança em relação a informação sobre produtos de distribuição de energia, como painéis solares, carregamento de veículos eléctricos e serviços de manutenção ligados a baterias domésticas (média global é de 46%).
Mas a maioria dos inquiridos (51%) diz não receber ou ter recebido qualquer tipo de informação do seu fornecedor sobre recursos energéticos distribuídos (DER) nos últimos 12 meses e apenas 22% se recordam de a ter recebido.
Apenas 28% dos inquiridos portugueses diz confiar inteiramente nas
sugestões recebidas do seu fornecedor sobre otimização e eficiência dos
consumos de energia. Este valor está também muito abaixo do valor médio da edição deste ano do estudo, que é de 40%. Nesta matéria, os filipinos são os que mais confiam nessas sugestões, com 69%, e os britânicos, com 25%, os menos confiantes.
No entanto a confiança no operador parece estar a aumentar em Portugal.
Comparando os dados do estudo de 2015 com os de 2016, verifica-se que na
edição do ano passado, 48% dos inquiridos portugueses declaravam estar abertos a mudar de operador se detectassem condições mais favoráveis.
Na edição deste ano, essa predisposição é declarada por 43%, cinco pontos percentuais a menos.
Na relação com o fornecedor de energia, os participantes portugueses neste estudo gastam quase 19 minutos (18,8 minutos) quando se trata de um contacto presencial. Mas se o contacto for feito através de meios digitais, o tempo gasto desce para quase metade: 10 minutos.

Millennials pelo mundo
Os millennials querem ser os primeiros a ter acesso a novos produtos e serviços
de energia – 24% deste escalão etário são considerados early adopters, em
comparação com os 17% no escalão dos 35-54 anos e dos 7% acima dos 55 anos, avança a Accenture.
Além disso, 22% dos millennials dizem querer experimentar novas tecnologias,
um valor superior ao dos outros grupos etários (15% para os de 35-54 anos e 6% para os de mais de 55 anos).
Ao mesmo tempo que há uma clara procura por novos produtos e serviços, pretendem informação e que tudo seja imediato e disponível à sua maneira. As suas expectativas no que se refere à utilização dos canais digitais são elevadas, conclui o estudo.
Os millennials estão mais receptivos a adoptar produtos e serviços de recursos energéticos distribuídos (DER) depois de serem informados sobre os mesmos –
87% comparado com 60% entre os que têm mais de 55 anos. Quase 80% disse que estaria mais satisfeito se lhe fosse oferecido um serviço de apoio que sugerisse novas ofertas de produtos e serviços, comparativamente com os 62% dos inquiridos com mais de 55 anos. No que se refere à gestão do consumo de energia em casa, nos próximos cinco anos, 61% dos mais jovens estão receptivos a dispor de uma aplicação que monitorize e controle remotamente os equipamentos de casa versus os 36% dos consumidores com mais de 55 anos. Significativamente, 56% dos millennials, o dobro das pessoas do escalão com mais idade, estão receptivos a adquirir um painel solar nos próximos cinco anos.
“Os fornecedores de energia devem ter em atenção esta e outras ideias para potenciar o negócio, porque as preferências e os comportamentos dos consumidores estão a mudar rapidamente e a alterar o mercado”, refere Nuno Pignatelli, Managing Director da Accenture Portugal, no comunicado. “As empresas de utilities bem-sucedidas terão de colocar o design no centro das suas operações e terão de encarar o cliente e as operações de retalho como activos estratégicos”, acrescenta